Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Livro Naiti Ideiu - Para Encontrar Uma Idéia - Capítulo 2 – A Revolta dos Ajoelhados

O exame das variantes (com adição de uma pitada de sorte) costumava ser vista como a única tecnologia possível da invenção. A falta da eficácia deste método era considerada uma coisa natural, algo auto-explicativo: “A criação... fazer o quê?! Teremos que aumentar o número dos colaboradores no laboratório…” Porém, a revolução tecno-científica sobrecarregou os institutos, escritórios de projeto e laboratórios com problemas “urgentes”. Foi necessário voltar a atenção para os métodos de otimização da seleção das variantes. Estes métodos não destruíam, de modo algum, a velha e familiar tecnologia da criação. Somente intensificaram o método costumeiro de tentativas e erros. Isso foi a revolta contra o exame cego das variantes. Mas a revolta dos ajoelhados…

Pode ser demonstrativo, em relação a isso, o método morfológico com seu brilho e sua miséria. O brilho – pois o método morfológico é capaz dar vida a muitas idéias resultantes de combinações. A miséria – porque o método não é capaz de extrair de um conjunto de idéias vazias a única necessária e suficiente para a solução do problema.

O objetivo do método está na construção de tabelas, capazes de abranger todas as variantes possíveis. Por exemplo: é necessário elaborar uma embalagem nova para alguns produtos. Se num eixo forem colocados, digamos, 20 tipos de materiais (metal, madeira, papelão, etc.) e, no outro, 20 tipos de formas (embalagem dura contínua, embalagem elástica contínua, embalagem de ripa, de rede, etc.) surgirá uma tabela com 400 combinações. Também é possível introduzir outros eixos, aumentando, indefinidamente, o número de variantes obtidas.

Entretanto, é possível apreciar o protótipo do método morfológico na “Arte Magna”, de Raimundo Lullio. Sobre a vida deste homem não há como ficar calado. Lullio nasceu no ano de 1235, na cidade Palma de Maiorca (uma das Ilhas Baleares). Na juventude, era cortesão do governador de Maiorca e tinha uma vida impetuosa, cheia de aventuras e duelos. Apaixonado pela bela e religiosa Ambrocia de Castelo, Lullio a perseguia por toda a parte. Uma vez, ele até entrou a cavalo num catedral onde a amada rezava. Desejando frear os ânimos do admirador, a beldade mostrou-lhe a úlcera terrível que deformava o seu corpo. À noite, ao abalado Lullio veio a face de Deus. Ele partiu para o deserto, para redimir-se dos pecados e dedicar a sua vida à propagação do cristianismo entre os muçulmanos da Ásia e África. Lullio decidiu provar a verdade da doutrina religiosa cristã ao desenvolver um sistema lógico de dedução e construção dos dogmas da religião. Ele tinha criado a sua Arte Magna. Aprendeu a falar árabe, percorreu a Europa e Ásia, buscava o apoio do Papa e dos monarcas europeus. Não deixando de lado a sua dedicação à Arte Magna, Lullio corria perigos mortais. Foi preso. Morreu na Tunísia, no ano de 1315, apedrejado enquanto propagava a sua Arte Magna.

A idéia essencial da Arte Magna consiste na seguinte compreensão: a estrutura de qualquer conhecimento determina-se por um número pequeno de noções iniciais. Combinando estas noções, é possível deduzir todo o conhecimento sobre o mundo.

Lullio construía seus aparelhos em forma de circunferências concêntricas. Em cada circunferência, eram escritas as noções principais. Deslocando as circunferências uma em relação à outra, era possível obter declarações e raciocínios diferentes. Conservaram-se alguns esboços destes aparelhos. No centro, estava o círculo, dedicado a Deus e marcado pela letra A. Ao seu redor, posicionavam-se duas circunferências concêntricas, divididas em 16 partes. As partes estavam marcadas pelas letras B, C, D, E, etc., sendo que B significava bondade, C, grandeza, D, eternidade, E, sabedoria etc… Girando o círculo interno em relação ao externo, era possível obter 156 combinações, cada uma delas passando algum dado determinado sobre Deus. Por exemplo, a combinação BC resulta em “a bondade de Deus é grande”, ED em “a sabedoria de Deus é eterna”, etc. O maior aparelho possuía 14 circunferências. A máquina singular parecia encarnar um certo intelecto universal que era capaz de expressar, por meio dos raciocínios formalizados, tudo o que é possível saber sobre tudo no mundo; ela podia dar mais do que 70 quatrilhões (1024) de combinações…

Na forma contemporânea, o método morfológico foi recriado pelo astrofísico suíço F. Zwicky: na década de 1930, Zwicky, intuitivamente, aplicou a técnica morfológica para a solução dos problemas astrofísicos e previu a existência das estrelas de nêutrons. Durante a segunda guerra mundial, quando Zwicky foi contratado para o desenvolvimento dos foguetes americanos, a análise morfológica – já inteiramente explicitada – foi usada para a solução dos problemas técnicos.

No mais simples dos casos, o método morfológico prevê a construção do mapa morfológico de duas dimensões: escolhem-se as duas características mais importantes do sistema técnico, fazem-se, para cada uma delas, a lista de todos os possíveis tipos e formas, e, depois, constrói-se uma tabela cujos eixos são os itens da lista. As células de tal tabela correspondem às variantes do sistema técnico. Tomemos, por exemplo, o problema seguinte:

Problema 2.1 – Os participantes das estações polares flutuantes, de quando em quando, enfrentavam a situação em que os esquis de aviões e de outros aparelhos ficavam grudados ao gelo. Entretanto, para se deslocar, no caso de emergência (rachaduras no banco de gelo, por exemplo), é preciso mover-se rapidamente. O que fazer?

Para liberar um esqui preso é necessário, antes de tudo, ter uma reserva de energia. Fazemos uma lista das diferentes fontes de energia, sem determinar, antecipadamente, se possa ser útil ou não: baterias elétricas, materiais explosivos, materiais inflamáveis, reativos químicos, aparelhos gravitacionais, aparelhos mecânicos (por exemplo, com molas), acumuladores pneumáticos e hidráulicos, bioacumuladores (homem, animais), ambiente externo (vento, onda, sol). Este será o primeiro eixo. Em seguida, escrevemos as possíveis formas de ação sobre os esquis e gelo: ação mecânica de choque, vibração, oscilações de ultra-som, o estremecer de um condutor durante a passagem da corrente elétrica que interage com um campo magnético, radiação luminosa, radiação térmica, aquecimento direto, ar quente, líquido quente, descarga elétrica. Estes formarão o segundo eixo. Se construirmos uma tabela agora, surgirão 90 variantes. É óbvio que esta tabela pode ser ampliada facilmente.

Normalmente, para a análise morfológica, constrói-se uma caixa morfológica, ou ainda uma matriz de muitas dimensões[7]. A construção inicia-se pela escolha das características principais – os eixos da caixa. Na qualidade dos eixos tomam parte o objeto ou as etapas do processo. Estes serão marcados pelas letras A, B, C, etc. Anota-se as alternativas possíveis ao longo de cada eixo (elementos de eixo): A-1, A-2, A-3 e etc. Enfim, constrói-se a caixa morfológica, por exemplo:

A-1, A-2, A-3, A-4, A-5;

B-1, B-2 B-3, B-4, B-5, B-6, B-7;

C-1, C-2, C-3;

D-1, D-2, D-3, D-4, D-5;

E-1, E-2, E-3, E-4, E-5, E-6, E-7, E-8.

Da caixa, tiram-se combinações de elementos, por exemplo: A-1, B-5, D-4, E-8 ou A-5, B-3, C-2, D-5, E-2. A quantidade geral das variantes na caixa morfológica é igual ao produto dos números de elementos nos eixos. No nosso exemplo: 5x7x3x5x8 = 4200.

Que riqueza – mais de quatro mil variantes! Porém, precisamos apenas de uma – somente uma! – variante funcional. Esta esconde-se entre um conjunto de combinações fracas e sem sentido. As regras da seleção não existem: deve-se examinar as milhares de variantes a olho...

* * *

O método morfológico foi redescoberto várias vezes. Exemplificarei com um episódio do artigo de O. Zholondskovski, “Não teríamos a felicidade, se... ”[8]

“Há quase um ano, eu quase inventei uma “técnica de inventar”. Aconteceu tudo da seguinte forma. Querendo fazer uma autopropaganda (pequei e estou me confessando), resolvi tirar fotos do modelo do meu anticiclone, pondo-o sobre as patentes da invenção espalhadas no chão. Para iniciar, coloquei tudo de forma aleatória, depois comecei a seguir uma certa ordem. Em cima, posicionei as construções simples. Um pouco abaixo, ficaram as invenções com os elementos giratórios. Ainda mais abaixo, aquelas com o uso de água, depois, com o fogo e, na parte inferior, com o fornecimento de gás auxiliar ou de ar. As invenções pareciam representar os elementos da natureza. Na horizontal, novamente, a periodicidade foi definida. Quando percebi um “sistema periódico” dos ciclones, esqueci sobre as fotografias. Nos 40 quadrículos, consegui posicionar todas as minhas invenções e, ainda, sobraram alguns lugares vazios para as novas elaborações. Pensei comigo mesmo: agora, as invenções vão sair como se fosse da cornucópia da abundância. Porém, algo deu errado.

Esta tabela foi publicada na revista “Técnica e Ciência”. Aos leitores foi proposto preencher os quadrículos vazios. Recebi muitas cartas, mas sem uma proposta sequer. Como isso poderia ser? Tudo parecia ser dado, servido como em um restaurante! Permaneci sem idéias durante um ano! Ainda que, neste tempo, não tenha parado de pensar (nem por um minuto) sobre os meus anticiclones. Na fábrica LSM, apliquei algumas modificações, mas, não inventei nada de novo. Parece que a ajuda das tabelas não é tão grande”.

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Dentre os métodos que efetivam o exame das variantes, o mais conhecido é o método da tempestade cerebral, ou brainstorming. Existem algumas dezenas de variedades deste método, porém todas elas estão privadas da beleza inerente à idéia da tempestade cerebral pura.

A tempestade mental é um método psicológico, porém, o seu autor, Alex Osborn, nunca foi um psicólogo. Nascido no fim do seculo XIX, em Nova Iorque, levou uma vida agitada, experimentando várias profissões: operário de construção, mensageiro de hotel, copista, repórter policial, professor... por um tempo, Osborn trabalhou como auxiliar do administrador de uma pequena fábrica, tendo como uma das obrigações inventar novos produtos. O auge desta carreira variada foi o trabalho em uma grande empresa de propaganda, na qual Osborn, procurando novas idéias para a propaganda, criou e aplicou o método da tempestade cerebral.

Na base do método está uma idéia clara: o processo da geração das idéias deve ser separado do processo da sua avaliação. Durante uma discussão, a maioria decide não expressar idéias inesperadas, ousadas, receando as possíveis troças, piadas, os erros, a reação negativa do chefe, etc. Sabe-se, também, que, expressando tais idéias, as pessoas sofrem críticas destrutivas por parte dos seus colegas, participantes da discussão. Isso faz com que as idéias morram muito antes de chegar à fase do seu desenvolvimento. Osborn propôs fazer a geração das idéias em condições onde a crítica é proibida e, onde, de todos os modos possíveis, incentiva-se qualquer idéia, mesmo infantil ou, evidentemente, ridícula. Para isso, selecionam uma pequena, se for possível, heterogenia (6 a 8 pessoas), de “geradores das idéias”. Neste grupo, não há chefes. O próprio processo de geração tende a ser organizado em situações agradáveis, cheias de descontração. As idéias expressas são gravadas ou taquigrafadas. O material obtido é passado a um grupo de peritos, para avaliação e seleção das idéias com futuro e perspectivas.

Mas o que traz tal divisão do trabalho? Sabe-se que, pela maneira de pensar, os homens dividem-se em “sonhadores” e “céticos”. É óbvio que esta divisão é convencional, assim como, a divisão em quatro tipos de temperamento. É muito mais fácil encontrar os tipos mistos. Todavia, para o grupo dos geradores de idéias é preciso selecionar “quase sonhadores”. Tal seleção, somada à proibição da crítica e à exigência de tomar e desenvolver quaisquer propostas, cria as condições próprias, adequadas para o surgimento das idéias corajosas e não triviais: durante uns 25 a 30 minutos de “ataque”, nascem não menos do que 50 idéias. O grupo dos peritos recebe, em primeiro lugar, as idéias geradas com coragem, até o fim e sem reservas, e, em segundo lugar, as idéias parcialmente desenvolvidas pelos participantes do ataque, com, pelo menos, uma sombra de comprovação inicial. É interessante a própria organização do ataque. Em um ambiente descontraído, um grupo de pessoas perde a timidez e começa a propor as idéias sem parar, quase que ao mesmo tempo, pois há não somente a proibição da crítica, mas também a proibição da apresentação das justificativas. Isso contribui para o processo da geração das idéias, que acontece em ritmo muito rápido. Nos minutos do auge da “inspiração coletiva”, as idéias surgem involuntariamente, são prorrompidas, hipóteses inquietantes e suposições confusas são emitidas. Exatamente estas idéias espontaneamente prorrompidas são consideradas como a produção mais valiosa da tempestade cerebral.

A base filosófica de tempestade cerebral é a teoria de Freud. De acordo com o pensador, a consciência do homem é representada por uma fina e frágil camada, superposta sobre o abismo do subconsciente. Em condições típicas, o pensamento e o comportamento de um homem estão determinados, em geral, pela consciência na qual governam o controle e a ordem: a consciência é programada, bitolada pelas representações ordinárias e proibições. Porém, esta casca fina da consciência, com freqüência, quebra-se, cedendo às forças espontâneas, escuras e temíveis dos instintos que se enfurecem no inconsciente. Estas forças levam, arrastam o homem às violações de proibições, aos atos ilógicos. Pois, para fazer uma invenção, é preciso superar as proibições psicológicas definidas pelas representações bitoladas daquilo que é considerado possível ou impossível. Com isso, a concepção filosófica da tempestade mental consiste em criar as condições para fazer sair as idéias perturbadas e irracionais do inconsciente.

O método tempestade cerebral, ao brotar do solo dos EUA, acertou, em cheio, pois este já havia sido fertilizado, bem preparado pelo freudismo. Durante os primeiros 10 a 15 anos, o método, que parecia ser incomensuravelmente forte, era vinculado a grandes esperanças. Pouco a pouco, ficou evidente que a tempestade cerebral vence bem os diferentes problemas de organização, assim como os de propaganda. Porém, os problemas inventivos contemporâneos ficam fora do seu alcance. As esperanças depositadas no método não se justificaram. Começou a época das suas numerosas modificações.

Entre muitas tentativas de melhorar, pelo menos parcialmente o método da tempestade cerebral, somente uma delas, sinética, desenvolvida por William Gordon (EUA), merece receber atenção especial.

Gordon, da mesma forma como Osborn, não era um psicólogo. Trocou quatro universidades sem terminar uma sequer, experimentou dezenas de profissões, recebeu cinqüenta patentes de invenção… Em 1952, Gordon organizou o primeiro grupo permanente para a solução de problemas inventivos. No ano de 1960, este grupo transformou-se na empresa “Sinectics Incorporated”, que recebia não somente pedidos para resolução de problemas, mas, também, para a instrução, o treinamento do pensamento criador.

A essência da tempestade cerebral, sua idéia, sua força consiste na proibição da crítica. Entretanto, isto é também a sua fraqueza: para o desenvolvimento e transformação de uma idéia é preciso esclarecer as suas falhas, ou seja, a crítica é necessária. Gordon superou esta contradição com a formação de grupos mais ou menos constantes. Os membros destes grupos, pouco a pouco, habituavam-se ao trabalho conjunto, paravam de temer a crítica e de se ofender quando alguém rejeitava suas propostas. Os grupos permanentes, em si, apresentam muitas vantagens. Aos poucos, cresce a experiência na solução de problemas. É possível aperfeiçoar o corpo pessoal do grupo, introduzindo novos participantes. O entendimento cresce e as idéias parecem ser pegas no ar.

Gordon conseguiu, se não superar, pelo menos, diminuir um pouco uma outra contradição: ele conseguiu, de uma certa forma, regularizar o processo da solução de problemas, mesmo preservando a espontaneidade que faz parte da tempestade cerebral. O chefe do grupo sinético, dirigindo o processo da solução, convida os participantes a usar, alternadamente, as analogias: isso estimulava a geração das idéias sem limitar a liberdade de busca.

As bases teoréticas da sinética, assim como dos outros métodos da otimização do exame das variantes, são bem simples. De acordo com Gordon, o processo criador pode ser apreendido e aperfeiçoado: é necessário estudar as anotações das soluções dos problemas e, regularmente, treinar a sua mente com tarefas, problemas diversos. A respeito de algo semelhante, Osborn também repete insistentemente nos seus trabalhos, porém nada fala sobre os mecanismos da solução. Com isso, aparecem somente os apelos gerais: cada um tem que tentar inventar, todas as coisas são passíveis de aperfeiçoamento, tudo depende do esforço e, claro, da sorte... Gordon, diferentemente de Osborn, deu ênfase à necessidade do ensino preliminar, para o uso das técnicas especiais, para uma organização definida do processo da solução. No total, essa abordagem do problema é mais profunda do que a de Osborn.

De acordo com Gordon, existe dois tipos de mecanismos da criação: os processos não operacionais (no sentido de desgovernados, indirigíveis) – intuição, inspiração, entre outros, e os processos operacionais, que permitem o uso das analogias de diferentes tipos. A aplicação dos mecanismos operacionais deve ser ensinada, pois, além de garantir o aumento da efetividade da criação, gera as condições necessárias para a revelação dos mecanismos não operacionais.

Gordon notou que muita coisa depende da compreensão do problema: as condições preliminares nem sempre são claras, freqüentemente são conduzidas na direção errada. Por isso, para o processo da solução, é melhor começar pelo esclarecimento e definição precisa do problema. Ou seja, é necessário, por meio de um debate, passar da formulação inicial (Problema Como Dado - PCD) à formulação operacional (Problema Como Entendido - PCE). Por exemplo, considere-se o problema: propor um método expresso, que não seja muito caro, para a revelação dos pontos de vazamento do ar em um pneu de automóvel (para o controle durante a sua produção). Durante o debate, surgiram três diferentes formulações de PCE: 1) como achar os lugares do vazamento; 2) como prever a localização destes lugares; 3) como achar a técnica de auto-eliminação do vazamento. Na realidade, aqui estão três problemas diferentes.

Para o processo criador, conforme Gordon, é muito importante saber transformar o incomum em habitual e vice-versa. A idéia está em perceber, por trás de um novo (e por isso incomum) problema ou situação, algo conhecido e, consequentemente, resolvível por meio das técnicas conhecidas. Do outro lado, é muito importante ter uma visão “fresca” sobre aquilo que já se tornou habitual, familiar faz muito tempo. Os homens recebem herança das palavras e técnicas congeladas de entendimento que dão à realidade externa uma forma habitual confortável. Entretanto é necessário saber recusar esta herança.

Os mecanismos operacionais para a elaboração de uma visão “fresca” sobre o problema são as analogias: 1) direita – qualquer analogia, por exemplo, retirada da natureza; 2) pessoal – uma tentativa de olhar para um problema tendo se identificado com o objeto e incorporado a sua imagem; 3) simbólica – a procura pela descrição simbólica curta do problema ou do objeto; 4) fantástica – a narração do problema usando os termos e noções dos contos de fada, mitos, lendas.

O chefe ou condutor de uma tempestade sinética deve lembrar, um por um, sobre diferentes tipos da analogias e propor o uso das técnicas correspondentes. Por exemplo, para aplicar a analogia simbólica, é necessário procurar pelo título do livro (de duas palavras), que, de uma forma paradoxal, caracteriza a essência do problema ou objeto. Assim, durante a solução de um problema ligado ao mármore, para a palavra “mármore” foi encontrada a expressão “arco-íris constante”. Gordon perguntou para o homem que propôs tal expressão, porque este caracterizou o mármore desta forma. A resposta foi a seguinte: “o mármore trabalhado, liso (não sendo branco) é multicolorido. Todo o mármore possui ramagens muito brilhantes que se parecem com o arco-íris. Todas estas ramagens são constantes”. Há outros exemplos da analogia simbólica: calor visível (chama), insignificância enérgica (núcleo de átomo), balbúrdia balanceada (solução), interrupção segura (mecanismo de catraca).

Gordon acertou, definindo o método da pesquisa: o estudo das anotações da solução de problemas inventivos reais. Porém, toda sua atenção foi concentrada nas ações humanas, enquanto nem tudo se define por elas. Sabe-se que os objetos técnicos desenvolvem-se de acordo com leis. As ações do inventor alcançam o sucesso somente quando elas, voluntariamente ou involuntariamente, viram o objeto na direção do rumo do seu desenvolvimento. Particularmente, o objeto técnico torna-se mais ideal, ou seja, a ação, graças à qual existe o objeto, cada vez mais, realiza-se por si mesma (a atividade, por assim dizer, aumenta, mas o volume e o peso diminuem). Isso é uma lei geral. É desnecessário usar as analogias, metáforas, ou esperar os fatores irracionais, ou mesmo achar o jogo de palavras, para encontrar a formulação “a ação acontece por si só”. Tal formulação deve ser programada em qualquer processo da solução, e não em sua forma geral, mas muito mais definida – com a indicação da parte do objeto à qual ela pertence, e com descrição precisa da ação física.

A sinética é o limite a ser atingido, dentro do princípio da seleção das variantes. Pelo menos, a sinética está próxima a tal limite.

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Nas décadas de 1960 e 1970 eu tive a oportunidade de realizar muitas tempestades cerebrais – comuns e sinéticas. São interessantes os ataques educacionais, nos quais o experimentador já sabe a resposta do problema e parece permanecer sobre o labirinto dentro do qual vagueiam os submetidos à prova. É nitidamente visível o caminho para onde leva este ou aquele passo – para a resposta ou para o beco sem saída.

O ataque, na realidade, ajuda a superar a inércia psicológica: o pensamento desamarra-se, acelera-se… e, com frequência, passa o lugar onde é preciso parar. Dezenas de vezes, observei a seguinte situação: um participante do ataque expressa uma idéia que conduz a discussão na direção certa, uma outra pessoa leva-a adiante, desenvolve-a; quando até a reta final restam somente alguns passos, alguém divulga uma outra idéia completamente diferente, a cadeia rompe-se e o grupo, novamente, volta à estaca zero.

Como a crítica aberta durante o ataque é proibida, os participantes criticam sem usar palavras: encolhem os ombros, balançam a cabeça, fazem caretas, sorriem com desprezo... Tudo isso é possível proibir, menos a recusa da idéia do outro pela divulgação da sua própria idéia. Proibir tal crítica torna-se mais difícil: a expressão livre das idéias é a base da tempestade cerebral. Eu conduzi as sessões de ataques com a proibição de qualquer crítica: não era permitido nem mesmo romper as cadeias desenvolvidas das idéias – cada idéia deveria ser conduzida até um final lógico. “Mas se dividir o navio em duas partes?.. Proponho dividir em várias partes: o navio de blocos... O navio de partículas pequenas... de átomos separados...”. Tal organização aumentava, um pouco, a efetividade do ataque. Porém, o desperdício de tempo foi alto: o ataque estendia-se por vários dias. Isso passou a não ser mais uma tempestade cerebral, mas um cerco, um assédio cerebral.

Durante o cerco cerebral é possível, de uma certa forma, dirigir o pensamento, mas, o procedimento permanece o mesmo: a busca faz-se por meio da seleção pura das variantes.

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Verificando os trabalhos escritos nas aulas da criação inventiva, notei que, durante a análise morfológica, uma boa parte dos erros está diretamente ligada à escolha e à construção erradas dos eixos. Surgiu uma pergunta lógica: é possível construir uma tabela universal que sirva para a análise morfológica dos vários sistemas técnicos? Tal tabela recebeu o nome de fantograma. Aplicam-na, em geral, não para a solução dos problemas técnicos, e sim durante os exercícios de desenvolvimento da fantasia, da imaginação; daqui vem o nome dela. Enquanto o eixo vertical do fantograma utiliza os indicadores universais que caracterizam qualquer sistema: a composição química do material, o estado físico do material, a infra-estrutura do sistema (por exemplo, para a madeira, uma gaiola), o sistema, a super-estrutura do sistema (para a madeira, a floresta), o rumo do desenvolvimento, a reprodução, o abastecimento energético, a técnica do deslocamento, a esfera da propagação, a gestão, a indicação. Na qualidade do eixo horizontal foi sugerida uma lista das técnicas da modificação: diminuir, aumentar, juntar, separar, fragmentar, substituir a propriedade dada pela anti-propriedade, acelerar, retardar, deslocar para trás no tempo, deslocar para frente no tempo, fazer com que a propriedade varie no tempo ou, ao contrário, seja constante, separar a função do objeto, modificar a conexão com o meio. Para cada objeto, o fantograma oferece 144 combinações, das quais umas 20 a 25% têm sentido. Nisso está a vantagem do fantograma em comparação à análise morfológica comum.

Porém, as possibilidades também são bem limitadas aqui. Convém aumentar o número dos elementos em cada eixo, tendo aumentado simultaneamente sua precisão e o caráter concreto. Porém, com o aumento do número dos elementos, o fantograma perderá sua compacidade e diminuirá significativamente a parte das combinações com sentido. Este fenômeno é característico para todos os métodos de exame de variantes, pois estes não possuem reservas para evolução; podem modificar-se, mas, não se desenvolvem, ficando dentro dos limites do seu princípio.

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O aparecimento dos métodos capazes de otimizar o exame das variantes gerou grandes expectativas. Parece que foi achado um simples e universal “ampliador do intelecto”. Basta aumentar “o nível do ruído” – apagar com técnicas simples a inércia psicológica, convencer os especialistas a ultrapassar, corajosamente, os limites da sua especialidade, “esporear” o processo da geração de idéias – e será fácil resolver qualquer problema... No conto de ficção científica “O nível do ruído”, escrito por R. Jones, na metade da década de cinqüenta, o psicólogo Bark ajuda a resolver o problema da dominação da gravidade. Ao terminar o experimento com sucesso, Bark diz: “Nós desconjuntamos os seus filtros mentais e, como resultado, surgiu a resposta. O método funcionou e será efetivo sempre. É necessário somente livrar-se do peso excessivo dos preconceitos e do lixo petrificado dentro da cabeça, mudar a sintonia arbitrária dos seus filtros mentais em relação a outras coisas, que vocês sempre quiseram fazer, e, assim, conseguirão achar uma resposta necessária para qualquer problema que possam desejar pesquisar”. Nisso, um físico emocionado, Nagle, responde: “Se nós tivermos aprendido a usar o nível máximo do ruído da mente humana, conseguiremos conquistar todo o universo”.

O quanto são exageradas as esperanças de Bark e Nagle, o leitor pode verificar por si mesmo. Não é preciso conquistar todo o universo. Tente somente inventar um conto de fadas. Todos sabem centenas deles, pois, neste campo, digamos, todos são especialistas. Porém, inventar sem usar “o lixo petrificado na cabeça”. O conto é uma área onde ninguém tem o peso excessivo dos preconceitos. “Os filtros mentais” deixarão passar qualquer idéia fantástica, ela só precisa aparecer...

Problema 2.2 – É preciso inventar o roteiro para um conto de fadas (ou um roteiro curto para um desenho). Utilizaremos, para facilitar o primeiro passo, o fantograma. Escolhemos um personagem tradicional do conto de fadas – o rato. No fantograma, achamos a linha “a área da propagação” e a coluna “diminuição”. Saiu uma combinação com sentido: a área da propagação dos ratos é diminuída. Resta, somente, aproveitar esta frase e desenrolar, com base nela, os acontecimentos do conto...

Os anos 1970 trouxeram a desilusão com os métodos de otimização. Em amplas práticas foram introduzidas somente partes, lascas destes métodos. Da tempestade mental restaram as reuniões informais de negócio e o entendimento de que formalismo não combina com uma situação que faz surgir idéias criativas. Do método morfológico ficam as tabelas – às vezes, elas são desenhadas para a definição da área de aplicação e as possibilidades de desenvolvimento da idéia encontrada. Tudo voltou “para os seus lugares”: é preciso, de uma ou de outra maneira, examinar o maior número possível das variantes. Porém, os ritmos de revolução científica-técnica cresciam, as necessidades por novas idéias aumentavam rapidamente, e a velha fórmula “examine as variantes” recebeu uma correção: é preciso que o maior número possível das pessoas durante o maior intervalo possível de tempo – dia e noite - examinem as variantes...

É demostrativa, neste caso, a prática de muitas empresas japonesas sobre a qual conta o livro, “Idéia e elaboração de artigos de amplo consumo”, de H. Yasuhisa.

As empresas tentam receber do seu pessoal o maior número possível de novas idéias. As idéias devem ser geradas por todos: começando pelo chefe e presidente da administração e terminando pelos mensageiros e faxineiras. Quanto mais propostas houver, melhor, por isso – elabore idéias desde cedo de manhã até tarde da noite, elabore-as em todas as circunstâncias! Tal ênfase é a idéia principal que atravessa cada página do livro. O autor recorda uma história bem conhecida do presidente (“Oto Borupan”) Tosaburo Nakata. Este começou sendo o proprietário de uma pequena oficina de forja. Pouco a pouco, acostumou-se ao “exercício mental” matinal cotidiano: pensava sobre problemas, resolvia quebra-cabeças. Isso ajudou-o a inventar uma caneta esferográfica e se tornar rico, famoso.

“Nas reuniões banais nascem apenas idéias banais” - escreve Yasuhisa. “As idéias originais nascem devido às reuniões originais. Perante as empresas produtoras fica um problema urgente: compreender a necessidade e importância da elaboração de novos produtos e fornecer ao pessoal responsável pela elaboração de condições nas quais possam pensar e desenvolver as idéias originais livremente”. Em seguida, Yasuhisa enumera as condições mais confortáveis para o aparecimento de novas idéias: à noite, observando o céu; assistindo desenhos na TV; no banheiro; à beira-mar, observando as ondas passarem; deslumbrando uma vista panorâmica que se abre de um monte alto...

De acordo com isso, seleciona-se o pessoal capacitado. Desta forma, a empresa “Nitto Koqui” indica para o escritório de construção “as pessoas com o caráter individual muito forte que são vistas pela maioria como as pessoas extravagantes, estrambólicas, esquisitas, sem bom senso”. A empresa “Nagatanien” age de uma maneira ainda mais original. “O presidente da empresa, senhor Nagatani, em setembro de 1979, declarou ao vice-chefe de seção comercial, Sr. Notokhara, que este poderia parar de aparecer para trabalhar durante dois anos e gastar dinheiro em abundância. Porém, durante este intervalo, deveria propor idéias originais que pudessem impulsionar a elaboração de produtos de alta venda”. Os gastos durante estes dois anos somaram 13 milhões de ienes. O resultado foi inesperado. O experimento incrível atraiu atenção à empresa, deu-lhe uma propaganda adicional e trouxe o lucro de 5 bilhões de ienes. O Sr. Notokhara não criou idéias novas, tendo dito que o assédio da imprensa impedia-lhe de trabalhar. O regime livre do Notokhara foi prolongado...

Realmente, em condições fora do padrão, com freqüência, surgem as idéias fora do padrão, originais. Porém, para a solução dos problemas contemporâneos é necessário rever milhares e milhares de variantes. No dia, há apenas 24 horas. A revolução tecno-científica não fica parada, ela propõe problemas muito complicados, os quais precisam ser resolvidos cada vez mais rápido...

Eis um destes problemas.

Problema 2.3. Um navio afundou com uma carga valiosa. Tirar esta carga em separado pareceu impossível. Decidiram, então, levantar todo o navio, usando para isso pontões. A idéia era simples: encher de água “barris” vazios e puxar para baixo, fixando-os ao navio. Depois, trocar a água por ar comprimido. Os pontões emergeriam, levando para a superfície todo o navio. Infelizmente, o corpo do navio ficou pelo metade no lodo. A força de elevação dos pontões era insuficiente para superar a ação de adesão do lodo. Os mergulhadores começaram a luta com o lodo: escavavam-o usando jatos de água e ar comprimido. As dragas fortes sugavam o lodo em suspensão. Parecia faltar somente alguns dias para o corpo do navio ficar livre e limpo. Entretanto, veio o mau tempo de outono. As ondas rapidamente trouxeram mais lodo, que, novamente, abraçava o navio afundado. O trabalho voltou à estaca zero… Veio o alerta: dentro de uma semana espera-se a passagem de uma tormenta violenta e duradoura. O navio precisava ser levantado e transportado a uma doca dentro de 3 ou 4 dias. A alternativa era desistir, pois a carga não agüentaria uma “hibernação” sob a água. Os especialistas entristeceram-se: todos as técnicas conhecidas já haviam sido testadas sem sucesso. Era necessário, literalmente, em algumas horas, encontrar a idéia de uma técnica nova e efetiva, que pudesse ser realizada de um modo fácil...

O que você sugeriria, se participasse desta expedição de resgate?

* * *

Os métodos de otimização do exame das variantes, como já foi dito antes, foram criados não por psicólogos e, sim, por práticos. Qual seria a posição dos cientistas: psicólogos, filósofos, historiadores da tecnologia?

A maioria segue a concepção antiga: o método de provas e erros é a única tecnologia normal da criação. Como exemplo, podem servir os trabalhos de um filósofo inglês, K. Popper. Uma das perguntas centrais da criação é “como surgem as novas idéias?”. Seria melhor, considera o Popper, formular esta pergunta de uma outra maneira: como é que surgem as boas idéias? O principal, que se precisa ter para o surgimento de boas idéias, é estar pronto para recebê-las e saber relacionar-se a elas de uma forma crítica. O aparecimento das idéias, sua crítica e recusa são os mais importantes componentes de um processo da criação. Isto é, de acordo com o Popper, a revelação da imaginação corajosa na ciência. Pois a imaginação é exigida não apenas para a criação de novas idéias, mas também para sua avaliação crítica. Popper refere-se a Einstein: o grande físico escrevia que, durante os dois anos precedentes a 1916, quando surgiu a teoria de relatividade, teve, em média, uma idéia a cada dois minutos, e todas ele recusou...

A técnica contrária é exemplificada nos trabalhos de J. Gowan (EUA). Ele concentrou toda a sua atenção no mecanismo das hipóteses as quais trata enquanto um resultado de atitude livre do cientista em relação ao seu próprio inconsciente. Por muito tempo, escreve Gowan, consideravam o cérebro enquanto um aparelho para solução dos problemas. Seria melhor, porém, o considerar enquanto um aparelho receptor que, bem sintonizado, pode receber os sinais, sempre existentes, mas acessíveis somente para os aparelhos mais sutis, sofisticados em condições otimizadas de funcionamento.

Como é que é possível receber, na prática, estes sinais hipotéticos? O psicólogo D. Makkinton (EUA) acredita que a resposta para esta pergunta possa vir do estudo do estado de transição entre o sono e a vigília. Durante uma série de experimentos, Makkinton, em uma seção hipnótica, inculcava aos submetidos à prova o conteúdo de um sonho futuro. No dia seguinte, “as cobaias” apresentavam os seus relatórios. Os sonhos de alguns correspondiam, com precisão, à imagem inculcada; os sonhos de outros sofriam grandes deformações. Exatamente o caráter destas deformações, segundo Makkinton, era o resultado principal e mais interessante do experimento. Aqui, ele encontrou a analogia à seleção durante a solução dos problemas: porque é escolhida uma variante e outra é recusada.

Provavelmente, a mais inesperada explicação do trabalho de um “cérebro-receptor” deu V. Ivanov[9]:

“Os autores da maioria daquelas (relativamente pouco numerosas) obras que definem os topos da cultura humana estavam inclinados, sem exagerar os seus méritos pessoais, a ligar o aparecimento destes textos a uma simultânea reciclagem de grandes maciços de informação. Por isso, é desconhecido se, realmente, os especialistas de comunicação espacial têm razão ao afirmar sobre a não existência de receptores terrestres que pudessem reagir de algum modo aos impulsos muito curtos que poderiam ser enviados pelas criaturas racionais que nos ultrapassaram em seu desenvolvimento. De acordo com a hipótese alternativa, tais impulsos deixaram um traço significativo na história da cultura humana. Neste caminho é possível buscar a concepção científica à noção de genialidade”.

Escrito com timidez, mas o sentido da “hipótese alternativa” é muito claro: os gênios são homens que têm capacidade de receber do cosmos a informação emitida por nossos irmãos intelectuais superiores.

Antes diziam: “iluminado”, “dom”. E indicavam a fonte – Deus. Ivanov usa os mesmos “iluminado”, “dom”, porém apontando para uma outra fonte – altamente desenvolvidas civilizações cósmicas. Tudo o que há de melhor até então desenvolvido pelo ser humano é entregue de mão beijada pelos deuses desconhecidos de cosmos. São riscados os trabalhos colossais de Mendeleev e Edson, a façanha de vida de Tsiolkovski e Darvin, o trabalho coletivo de “cooperações dos contemporâneos” que criaram a aviação, a eletrônica, a ótica quântica. Aos homens, mesmo aos grandes descobridores e inventores, resta apenas o papel de marionetes.

* * *

A idéia sobre a necessidade da elaboração dos métodos efetivos da solução dos problemas inventivos pronunciava-se faz muito tempo, pelo menos, já no tempo do matemático da Grécia Antiga, Papp. Nas suas obras, pela primeira vez aparece a palavra “heurística”. Porém, apenas na metade do século XX tornou-se evidente que a criação de tais métodos não somente é desejada, mas, necessária. O surgimento dos métodos de otimização do exame das variantes é um passo marcante na história da humanidade. Pela primeira vez, foi provada na prática – mesmo num espaço limitado – a possibilidade de manipular o processo da criação. Osborn, Zwicky e Gordon mostraram que é possível e necessário desenvolver a capacidade de resolver os problemas criadores através do ensino. Foi deposto o mito sobre os trabalhos “iluminados”, que ficam fora da dominação e reprodução.

Infelizmente, os métodos da otimização preservaram a velha tecnologia da solução dos problemas criadores. Isso marcou sua derrota. Os métodos da otimização tornaram-se incapazes de se desenvolver, viviam nos limites das suas fórmulas iniciais. Com fracasso total, marcou-se também a tentativa de juntar de algum modo, combinar estes métodos.

O círculo fechou-se. As tentativas de reconstruir a solução dos problemas criativos, preservando a tecnologia do exame das variantes, pararam num beco sem saída.

* * *

Na concepção técnico-científica tudo pode ser mudado, permanece intacta somente a noção sobre o processo criador que não pode ser dominado. Mais do que isso, acredita-se que mesmo no futuro distante (depois de 100 ou 1000 anos) permanecerão as mesmas particularidades da criação.

A força de velhas noções sobre a natureza do processo criador é grande. Por isso, é muito difícil ver aquilo que pareceria saltar aos olhos: os sistemas técnicos desenvolvem-se de acordo com leis definidas, as quais é possível conhecer e aplicar para estabelecer uma nova tecnologia da criação.

É possível comparar os métodos da otimização da seleção das variantes com os balões de ar: da mesma forma como os balões de ar permitiram pela primeira vez distanciar-se da superfície terrestre, os métodos de ativação pela primeira vez mostraram a possibilidade de aumento de operações intelectuais durante a solução dos problemas criativos. Porém, a conquista do oceano de ar tornou-se possível apenas com surgimento de um aparelho voador completamente diferente – o avião. Da mesma maneira, a conquista do “espaço criador” sem limites exige técnicas bem diferentes do método da otimização.

Os sistemas técnicos desenvolvem-se de acordo com leis. As leis são cognitivas e podem ser usadas para aperfeiçoamento consciente dos velhos e criação dos novos sistemas técnicos, transformando o processo da solução dos problemas inventivos na ciência precisa do desenvolvimento dos sistemas técnicos. Aqui, passa a fronteira entre os métodos da otimização da seleção das variantes e a teoria contemporânea da solução dos problemas inventivos.



[7] Ou seja, um tensor morfológico (nota do revisor).

[8] Indústria Socialista, 29 de novembro de 1980.

[9] Ivanov V.V. Par e ímpar. – Moscou: Rádio Soviética, 1978. - p. 163.

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Livro Naiti Ideiu - Para Encontrar uma Idéia - Capítulo 1 - Pior do Que Uma Dúzia de Furacões

Imagine um aeroporto de onde, todos os dias, decolam aproximadamente 150 aviões, de acordo com o horário previsto. Os passageiros entram nos aviões e ocupam seus lugares. Acende-se um painel: “Proibido fumar! Apertem os cintos de segurança!” Porém, de repente, em 100 aviões, as aeromoças, sorrindo, declaram: “Desculpem, mas, este vôo foi cancelado... a sua bagagem será devolvida... os ônibus e táxis já estão esperando lá fora...”. Os outros 50 aviões decolaram, entretanto, 49 logo aterrissaram. As aeromoças abriram seus lindos sorrisos ao dizer: “Desculpem, mas este vôo está cancelado... bagagem... ônibus...”. Somente 1 (um!) avião alcançou a cidade do destino previsto...

O leitor tem o direito de replicar: isto é impossível! Tais aeroportos não existem!

Então, imagine uma companhia de construção que, anualmente, recebe os recursos para a construção de 150 prédios residenciais e, no final do ano, relata o seguinte: 100 prédios desmoronaram durante a construção e, em 49 prédios, será possível morar somente nos andares inferiores. Em compensação, 1 (um!) prédio de cinco andares ficou perfeito e já está completamente ocupado.

O leitor retrucará novamente: tais construtoras não existem! Tudo bem, tais construtoras não existem. Eu, simplesmente, queria demonstrar, de modo visível, como acontecem as coisas no mundo da criação inventiva.

Prestem atenção às linhas do artigo do presidente do Conselho Central da SERU (Sociedade dos Engenheiros e Racionalizadores da URSS)[1]:

“No nosso país, anualmente, realizam-se cerca de 150 mil pesquisas científicas. Aproximadamente dois terços delas estão sendo interrompidos ainda no estágio do experimento ou do teste do modelo experimental, e, com isso, grandes recursos estatais usados na criação de uma tecnologia nova são gastos à toa. Das elaborações que alcançam o estágio de aplicação, 85% são aproveitadas em uma ou duas empresas e somente uns 2% em cinco ou mais empresas.”

A baixa efetividade do método de tentativa e erro, ou seja, da tecnologia tradicional de invenção, é uma das causas principais desta situação.

A solução de problemas inventivos é uma das mais antigas atividades humanas. Pode ser, mesmo, a mais antiga de todas e surpreendentemente conservadora. Vejamos: nos dias de hoje, assim como milhares anos atrás, a base da tecnologia de invenção é o método da tentativa e erro, cuja essência contém a seqüência da apresentação e da análise de todas as idéias da solução do problema, considerando sempre que, no lugar de uma idéia fracassada e rejeitada, apresenta-se uma nova. Não há regras de busca: a chave para a solução pode ser qualquer idéia, mesmo muito absurda e “selvagem”. Não há, também, regras definidas da avaliação preliminar das idéias. Se a idéia está sendo útil ou não, se merece uma verificação ou não, temos que refletir subjetivamente.

Outrora, as variantes da solução dos problemas eram examinadas, literalmente, de uma forma aleatória. Mas, na medida do desenvolvimento dos conhecimentos técnicos, formaram-se as noções sobre aquilo que é efetivamente possível ou impossível. De acordo com estas noções, o inventor contemporâneo filtra as variantes, rejeitando o que lhe parece pouco promissor. O aumento do grau da filtragem é a tendência principal do desenvolvimento histórico do método da tentativa e erro. Esta filtragem, por um lado, facilita a solução dos problemas que exigem as respostas “normais”, ou seja, mais ou menos habituais ou esperadas, porém, por outro, dificulta muito a solução dos problemas que exigem idéias não triviais, absurdas, “selvagens”.

A outra tendência do desenvolvimento do método da tentativa e erro é a substituição dos experimentos materiais pelos reflexivos, “mentais”. O volume dos conhecimentos aos quais o inventor contemporâneo tem acesso é tão grande que os resultados de muitos experimentos poderiam ser prognosticados de antemão. Para isso, o inventor apóia-se não somente nos conhecimentos pessoais, mas, também, na vasta literatura técnica e científica. Ele também tem a opção de consultar os especialistas. Tudo isso permite avaliar teoricamente a maioria das variantes sem precisar recorrer a experimentos reais e materiais. Os experimentos “mentais” acontecem mais rápido e isso é a sua vantagem principal. Porém, os experimentos “mentais” são subjetivos, ou seja, eles não estão imunes aos ruídos psicológicos. Além disso, os experimentos “mentais”, diferentemente dos reais, por via de regra, não estão acompanhados por efeitos “colaterais”, como descobertas inesperadas ou revelações de fenômenos e efeitos imprevistos.

Uma vez, num seminário sobre a teoria de invenção, eu apresentei aos ouvintes o seguinte problema:

Problema 1.1 – Durante a produção de ferro fundido, nos fornos, forma-se escória (à temperatura aproximada de 1.000 ºC). A escória é transferida para carrinhos sobre trilhos e é levada para o aparelho de reciclagem. O uso da escória líquida é economicamente vantajoso, já a refundição da escória sólida é de baixo rendimento. A escória, nos carrinhos, esfria-se e, sobre a sua superfície, surge uma casca sólida. Para tirar a escória dos carrinhos, fazem-se, em sua casca, dois orifícios, com a ajuda de um aparelho especial. Este trabalho exige certo tempo, durante o qual a escória continua a esfriar e a espessura da casca cresce... No final das contas, é possível tirar não mais de 60 a 70% da escória. Os carrinhos com a escória sólida são, então, transferidos para outra área onde esta é retirada, carregada nos caminhões e levada para aumentar os montes ao redor das fábricas.

Os participantes do seminário receberam folhas com algumas possíveis soluções. Era exigido marcar com o sinal mais as variantes que lhes pareciam convenientes ou, pelo menos, mereciam ser examinadas e, com o sinal menos, destacar as variantes rejeitadas. A primeira turma era formada por 19 engenheiros, dentre os quais, 12 metalurgistas. A segunda turma continha 8 engenheiros e 12 estudantes do ensino superior; nesta turma não existia um engenheiro metalurgista sequer. Os resultados do experimento seguem abaixo:

As variantes de solução do problema 1.1

Turma 1

Turma 2

mais(+)

menos(–)

mais(+)

menos(–)

1. Misturar a escória

2

17

9

11

2. Esquentar a escória

13

6

16

4

3. Adicionar tintura à escória

-

19

2

18

4. Fechar o carrinho com uma tampa removível

14

5

11

9

5. Adicionar à escória gelo, neve, ou água

-

19

-

20

6. Colocar o carrinho num campo magnético forte

2

17

14

6

7. Tratar a escória com ultra-som

1

18

11

9

O grupo 1, cuja maioria é de especialistas da área, segue as variantes tradicionais e rejeita, unanimemente, as idéias absurdas, “selvagens”. Não especialistas, por outro lado, são bem mais tolerantes a tais variantes. Seria possível, simplesmente, constatar que os especialistas, que conhecem melhor as condições reais das fundições de ferro, agem com mais segurança, rejeitando decididamente as variantes claramente inconvenientes. Entretanto, cabe aqui destacar um fato muito importante: ambas as turmas rejeitaram a mais “selvagem” das variantes, a de número 5, que, em princípio, coincide com a resposta certa…

O método da tentativa e erro é útil para a solução dos problemas simples. Mas, se a solução esconde-se no meio das centenas ou milhares de possíveis variantes, o caminho até uma resposta certa pode prolongar-se durante muitos e muitos anos ou se tornar extenuante, impossível: nem todo inventor seria capaz de examinar com paciência pelo menos uma centena de variantes. Além do mais, não existe uma garantia sequer de que mesmo esta persistência inesgotável será premiada no final. A resposta certa pode passar sem ser notada ou, mesmo sendo percebida, pode ser avaliada de forma errada e considerada como inútil.

Os ritmos do desenvolvimento da tecnologia dependem, antes de tudo, do surgimento e da realização de processos, máquinas e aparelhos essencialmente novos. Para a sua criação, é imprescindível ter idéias fortes, não triviais, “selvagens”. Porém, é exatamente aqui que o método da tentativa e erro “patina” desesperadamente no mesmo lugar… Não há homens que poderiam, através deste método, resolver seguramente os problemas, ao custo de milhares de tentativas. Caso a sorte ajude alguém a resolver tal problema, não existe uma garantia sequer de que o mesmo homem terá condições de resolver o problema seguinte.

Então, como é que se resolvem os problemas que custam milhares ou milhões de tentativas?

Em testemunhos ou memórias dos inventores, seus biógrafos, normalmente, repetem a mesma coisa – as longas reflexões, o processo da seleção de todas as possíveis variantes e a resposta súbita em conseqüência de uma sugestão casual[2]:

“Durante três anos, Terentiev buscava a solução do problema, rejeitando variantes, uma após outra. Às vezes, lhe parecia que andava em círculos, à toa. Entretanto, na realidade, o conjunto das mais diferentes idéias, pouco a pouco estava sendo prensado, transformando-se numa espécie de carga de pólvora. Foi necessária apenas uma faísca do acaso para que surgisse o fogo de uma idéia brilhante.”

Os psicólogos, também, deixaram a sua contribuição, tentando reproduzir em experimentos o processo da solução dos problemas. Para isso, normalmente, no lugar dos problemas inventivos, usavam-se quebra-cabeças e adivinhas. Os psicólogos behavioristas, que julgavam necessário somente observar o comportamento humano, consideravam apenas os traços externos do processo da solução: o homem concentra-se e examina uma variante após outra. Os psicólogos da Gestalt já explicavam a essência da questão da seguinte forma: a pessoa cria uma forma mental (Gestalt, do alemão) do objeto, sobre o qual trata o problema. Em seguida, começa a reconstruir esta forma, modificando as relações entre os seus elementos, até que, de repente, surge uma compreensão nova do problema, tornando visível uma tênua relação entre os elementos ou a particularidade nova do objeto e dos seus elementos.

O psicólogo alemão K. Duncker fez, nas décadas de 1920 e 1930, os experimentos mais detalhados. Ele, da mesma forma como os seus colegas, trabalhou com problemas simples e quebra-cabeças. Esperava-se que as conclusões recebidas poderiam, futuramente, ser transferidas para a resolução de problemas mais complexos. Entretanto, a história multissecular da invenção não dava, de modo algum, as bases para isso. A experiência demonstra que a solução dos problemas simples é acessível para muita gente. Não há importância ou significado prático se a solução for alcançada na segunda ou na décima das tentativas, pois toda a dificuldade está na falta da clareza do mecanismo da solução dos problemas difíceis ao custo de milhares de provas. Durante a solução de tais problemas, revela-se algo mais do que um simples exame das variantes. Às vezes, a solução do problema difícil revela-se de uma forma fácil: de repente, não foram precisos conhecimentos especiais para encontrar a resposta necessária. Mesmo que muita gente tente resolver o problema sem conseguir, aparece um homem qualquer e o soluciona. Como é que isso acontece? Por que isso não se repete? Por que um homem que foi iluminado para resolver um problema difícil, está impotente diante de um novo problema? Em geral, porque são difíceis os problemas difíceis?

Karl Marx mencionou em O Capital que todas as grandes invenções não foram feitas por um homem apenas, mas pela “cooperação de contemporâneos”. Os casos especialmente difíceis são “remoídos”, pouco a pouco, por algumas gerações de inventores. Desde o fim do século passado (em particular, depois de Edison), a imperfeição do método da tentativa e erro começou a aparecer de uma forma consciente, concentrando os esforços de muitos elaboradores na solução de um único problema. O vasto campo de busca é dividido em pequenas seções, sobre as quais trabalham muitas pessoas. Enquanto os setores tornam-se cada vez mais estreitos, as forças concentradas em cada setor tornam-se cada vez mais significativas...

Em 100 anos de estudo sobre o processo de criação, os psicólogos não fizeram uma experiência sequer sobre a solução do problema maior efetuada pela “cooperação de contemporâneos”. Somente nos últimos anos, surgiram informações sobre os experimentos com problemas inventivos pequenos, mas reais.

Eis um de tais problemas.

Problema 1.2 – O altímetro de aviação funciona medindo a queda da pressão em relação à altura. Na realidade, é um barômetro comum, mas, a sua escala é calibrada por unidades do comprimento (altura). O altímetro tem duas escalas circulares (Figura 1): a escala maior mostra os metros e a menor, os quilômetros. Os pilotos, freqüentemente, confundiam as escalas. Por isso, foi decidido instalar um altímetro novo, que mostraria os quilômetros na escala horizontal, mas os metros, na circular (Figura 2). Elaborar tal aparelho foi tarefa dada a engenheiros de alta qualificação. Eles resolveram o problema, mas, o mecanismo criado ficou complexo, com muitas engrenagens, rodas dentadas e pequenas rodinhas. O atrito entre elas foi tanto que a precisão do novo aparelho reduziu-se a nada. Todas as tentativas de diminuir o número das engrenagens deram em nada. Então, o problema caiu nas mãos de um homem leigo no assunto…

Figura 1 - Figura 2

A resolução deste problema, realmente, não exige nenhum conhecimento especial. O altímetro, em princípio, não se difere do manômetro, cujo mecanismo é descrito no livro de física da sexta série: um tubo de metal feito em forma de um arco, com uma ponta soldada e outra conectada a um volume, no qual mede-se a pressão. Com o aumento da pressão, o tubo endireita-se e a sua ponta soldada começa a fazer o movimento que, com a ajuda de alavancas e engrenagens, transfere-se ao ponteiro.

“As anotações permitiram constatar como tudo isso aconteceu. O inventor trabalhava com o problema, vendo-o de todos os lados, tentando solucioná-lo, mas, sem sucesso. Refletia sobre ele durante dias e noites e já começava a pensar que não tinha solução. Mas as buscas incessantes continuavam. Tudo isso parecia um jogo estranho, durante o qual o inventor começou a sentir um tipo de prazer ou satisfação. Surgiam alucinações que o seguiam com insistência. Com o passar do tempo, percebeu que o problema o dominava a tal ponto que já não conseguia mais viver sem pensar sobre o assunto. O inventor decidiu descansar e, ao deixar todas as anotações, viajou para fora da cidade, para a floresta. As folhas do outono lentamente rodopiavam no ar e o inventor seguia ao longo de uma clareira, meio adormecido, vendo muitas imagens rápidas passar na sua mente.

De repente, diante de seus olhos mentais surgiu uma mola de altímetro, enrolando e desenrolando continuamente. Inesperadamente, contra a força de vontade do inventor, na mola surgiu um ponto negro que fazia um arco pequeno à medida que a mola enrolava e desenrolava. No momento seguinte, o problema foi resolvido: o movimento do ponto na mola era aquela linha horizontal que ele buscava tanto e sem sucesso”[3].

Isso é uma descrição típica do processo inventivo. Ainda que tratemos do problema inventivo real, a observação do processo de resolução não traz nada de novo. As informações novas poderiam ser adquiridas, se a pesquisa fosse desenvolvida de um modo completamente diferente, deixando no centro de atenção não as emoções subjetivas do inventor, mas, as transformações objetivas. Ou seja, focalizando a transição de um modelo do altímetro para o outro: do modelo ruim, que se caracteriza pelo sistema complexo de transmissão do “motor” (a mola) para o “órgão funcional” (seta movida na horizontal), para o modelo bom, que não contém a transmissão, pois a sua seta está diretamente conectada à mola (Figura 4). A transmissão, enquanto objeto separado, não existe – aqui, a simplicidade extrema do aparelho. A mola desempenha as funções da transmissão, ou seja, a transmissão existe sem existir. Os fracassos anteriores eram determinados pelas tentativas de construir uma boa transmissão, enquanto era preciso rejeitá-la completamente...

Figura 3 - Figura 4

Uma de duas coisas: ou a técnica que acabamos ver (rejeitar a transmissão e transferir as suas funções ao motor ou órgão funcional) serve somente para este problema, ou isto é uma técnica geral para todos os problemas ou, pelo menos, para uma classe bastante ampla. A primeira suposição guia o pensamento para um beco sem saída e a pesquisa pára imediatamente. A segunda suposição leva à noção do objeto ideal: o objeto técnico é ideal se ele não existe, mas, a sua função é cumprida. O objeto ideal é melhor do que quaisquer outros objetos – ele não custa nada, é absolutamente seguro (é inquebrantável), não cria efeitos colaterais prejudicais (por exemplo, ruído), não exige manutenção, etc.

A análise do banco de patentes mostra que o aumento do grau da idealidade dos sistemas técnicos é uma lei geral, ainda que a transmissão da função esteja longe de ser um único caminho para a realização desta lei. Tal conclusão poderia dar o começo da tecnologia científica da solução dos problemas: se uma lei foi encontrada, as outras podem ser encontradas, também. Porém, os pesquisadores, como vimos, pararam por aí, ou seja, no ponto a partir do qual seria necessário começar a trabalhar. Isto é típico para todas as pesquisas psicológicas que, inicialmente, são limitadas pelo postulado errado: a invenção é somente um processo psicológico, é importante somente o que acontece na cabeça do inventor. Na verdade, a invenção é uma transição em conformidade com as leis dos sistemas técnicos, de uma condição para outra. Conhecendo as leis do desenvolvimento dos sistemas técnicos, é possível, de forma planejada, resolver o problema, superando, conscientemente, as dificuldades, inclusive as psicológicas.

No fim da década 1940, eu precisei elaborar uma roupa refrigeradora para os salva-vidas que trabalham em incêndios subterrâneos. A dificuldade principal foi a seguinte: o peso do material refrigerante (gelo, gelo seco, etc.) não podia superar os 8 quilogramas. De acordo com os cálculos, eram necessários não menos de 20 quilogramas. O problema era considerado insolúvel: é dificil discutir com os cálculos físicos... Mas eu já sabia a regra segura: o sistema técnico é ideal, quando este sistema não existe, mas, a sua função é cumprida. O salva-vidas tem, obrigatoriamente, um aparelho respiratório (que pesa de 11 a 12 kg!). Eu propus um escafandro que desempenhava as duas funções – de respiração e de defesa térmica. O escafandro funciona com ar liquidificado, ou seja, inicialmente, o ar vaporizava-se e esquentava-se, absorvendo o calor e, depois, podia ser usado para a respiração. O aparelho respiratório tornou-se desnecessário, pois a reserva do material liquidificado e respiratório chegava a 20, ou mesmo, a 30 kg. Usando tal escafandro, é possível consertar um forno Martin incandescente!

Um ano depois, eu fui encarregado de elaborar um gerador de oxigênio transportável. O oxigênio formava-se, nele, quimicamente – a partir de água oxigenada. Como resultado, surgia um mistura quente de gás e de vapor, com uma quantidade alta do segundo. A mistura resfriava-se e se dessecava. O oxigênio era usado, mais tarde, para fazer soldas e cortes. Os meus antecessores pareciam ter diminuído o peso dos aparelhos refrigeradores e dessecadores até o limite: a luta era por cada grama e cada centímetro cúbico. Mesmo assim, o sistema refrigerante-dessecador pesava 1,5 vezes mais do que o próprio gerador... A mim foi dito o seguinte: “Olha o que é possível fazer. Seria bom diminuir o peso em alguns pontos percentuais... O tempo é limitado – somente um mês”.

A idéia da solução surgiu imediatamente. Melhor dizer: com certeza, resultou da regra. Era preciso que a refrigeração da mistura de gás e vapor (e, conseqüentemente, a dessecagem por meio da condensação) acontecesse “por si só”, por conta da absorção do calor pelos outros sistemas. Quais são os sistemas próximos que poderiam precisar do calor? Antes de mais nada, é o gerador do gás combustível que funciona em conjunto com o oxigênio. Permitimos que a vaporização do combustível líquido aconteça por conta do calor gratuito do gerador de oxigênio. Então, o sistema refrigerante-dessecador pode ser retirado por completo! A construção do gerador de gás combustível também simplifica-se significativamente: não são mais necessários mais o vaporizador, reguladores, bico... Para os cálculos, a preparação do aparelho experimental e o seu teste eram necessários 11 dias.

Se você leu, mais ou menos atentamente, estas páginas, vai se interessar pelo problema 1.3.

Problema 1.3 – Na obra “Trilogia Cósmica” de V. Gubarev, encontram-se as palavras de um dos construtores do aparelho móvel para a aterrissagem da estação Venera-8: “Cada grama de peso e centímetro cúbico de espaço dentro da “esfera” foram aproveitados racionalmente. Posso assegurar que vocês não conseguiriam enfiar lá nem uma caixa de fósforos. Eu não encontrei, até então, montagem tão densa em construção alguma”[4].

Façamos a suposição: surgiu a necessidade de colocar dentro da “esfera” não uma caixa de fósforos, mas, um aparelho com o peso de 6 kg. O que você pensa? Conseguiria colocar o aparelho ou não? Se não – porque? Se sim – de que modo?

Examinemos um caso típico: num laboratório qualquer, solucionam um problema comum, usando o método da tentativa e erro.

Durante a pulverização de soluções químicas é importante que as gotas sejam do mesmo tamanho. Para executar a regulagem do tamanho das gotas é preciso, inicialmente, aprender a medi-las. Com a ajuda de um tubo aerodinâmico, criaram um fluxo de ar que dividia a solução química em gotas. Diante dos pesquisadores surgiu um problema: determinar os tamanhos das gotas e seus respectivos espectros. O engenheiro E. Margolin descreve o trabalho da seguinte forma: “Tanto Robert Kazak, quanto o responsável pelo tema – engenheiro superior Jurii Danilov, e o técnico superior Konstantin Petrovich Timoshin, e outros membros do grupo procuravam a solução do problema quase às apalpadelas. Examinaram muitas teorias, no fim das quais aparecia: “É necessário realizar testes práticos”. Fizeram milhares de experimentos, somente para entender o mesmo: o caminho foi errado. Experimentaram dezenas de construções técnicas e gastaram uma quantidade incalculável de filme”[5]. Isto não é um artigo crítico, é um ensaio cheio de elogios. A quantidade incalculável de filme gasto não é uma recriminação, mas, por assim dizer, o indicador quantitativo da ignição criativa...

O problema foi dividido em várias questões. Antes de mais nada, foi necessário aprender a fazer as gotas do mesmo tamanho. O laboratório tinha um gerador de gotas padronizadas: o motor, por meio da transmissão por correia, girava um disco no qual caía um fio de líquido. A força centrífuga criava as gotas, sendo que o tamanho das gotas dependia da quantidade de rotações do disco. O funcionamento do aparelho era inseguro: a correia deslizava, o disco girava de forma irregular, as gotas eram de tamanhos diferentes. Iniciou-se, então, o trabalho do aperfeiçoamento do aparelho...

O autor do ensaio testemunha: “No laboratório, gastaram um ano para criar este sistema e, depois, simplesmente, colocaram o disco sobre o eixo do rotor do motor elétrico”. Gastaram um ano (!) e depois jogaram fora a transmissão por correia e conectaram o motor e o disco diretamente! A transmissão ideal é aquela que não existe, mas, ainda assim, realiza sua função... Um ano de trabalho de alto custo para algo que se resolve imediatamente, se for usada a noção do objeto ideal. Este é o preço pela ignorância metodológica: a noção sobre o objeto ideal foi muitas vezes descrita na literatura sobre a teoria da resolução de problemas inventivos e só isso teria bastado para descobrir a resposta imediatamente, na primeira tentativa.

Eu gostaria de ser compreendido corretamente. Toda a nossa civilização técnica sustenta-se em invenções feitas pelo método da tentativa e erro. O trabalho dos inventores, que, por meio de uma seleção das variáveis, com paciência, superam os mais difíceis problemas, merece grande respeito. Mas, nas últimas décadas, surgiu a Teoria da Solução Inventiva de Problemas – TRIZ. Agora, é impossível, inadmissível, imperdoável, gastar tempo, recursos, forças com variantes “vazias”! Se um enxadrista de categoria não soubesse as regras simples, e, durante anos, pensasse sobre a jogada “e2 – e4”, isso seria ridículo. Quando, para o sucesso do inventor contemporâneo utilizam-se provas “vazias”, isso é digno de riso. Entretanto, este riso é um riso por entre lágrimas.

Quem sabe, nos mais avançados ramos da técnica, onde estão concentradas melhores forças científico-técnicas e foram criadas as condições favoráveis para a elaboração de inovações técnicas, o trabalho passa-se de modo diferente?

Voltamos para o artigo do comentarista científico do jornal Pravda, V. Gubarev, 100 minutos entre os mistérios. Em questão, a estação Venera-12.

“No aparelho móvel para aterrissagem estava uma carga centradora. De que jeito ficar sem ela, se era necessário que a “bolinha” ocupasse uma posição bem exata no espaço?”[6].

A carga centradora ideal é aquela que não existe, mas a sua função é desempenhada por algum outro objeto do aparelho. Como regra geral, isso foi formulado ainda no ano de 1956, no primeiro trabalho publicado sobre TRIZ: “...para o sistema dado transferem-se as funções do outro sistema e, por conta da eliminação do último, surge a possibilidade de aumentar o peso do primeiro sistema”[7]. No artigo de Gubarev, era apresentada a seguinte situação: uma vez, os construtores foram visitados por um pesquisador do Instituto de Geoquímica e Química Analítica, que lhes pediu para colocar na Venera-12 mais um aparelho com o peso de 6 kg. Explosão de riso. “Isso já é demais – propor uma coisa dessas... Como podemos pensar em qualquer coisa assim, se o nosso aparelho já foi construído e cada grama da carga foi calculada com precisão?” O pesquisador insistia: é necessário colocar tal mecanismo. A idéia surgiu de repente: retirar a carga centradora. O aparelho realizaria suas funções próprias e, ao mesmo tempo, desempenharia também o papel da carga...

Agora é o momento para voltar ao problema 1.3. A questão é formulada da seguinte forma: se o construtor disse que não há espaço livre, mesmo para uma caixa de fósforos, o espaço livre não existe. Nas condições, não é mencionado que, dentro da “esfera”, havia um lastro, ou seja, a carga centradora. Porém, para solução do problema de uma forma geral, isto não importa. Então, o aparelho ideal é aquele que não existe, mas as suas funções são desempenhadas. Neste sentido, não existe o limite da densidade da montagem: teoricamente, dentro do mesmo volume é possível introduzir uma quantidade ilimitada de aparelhos.

O uso do aparelho na qualidade de elemento construtivo (por exemplo, a carga centradora) é uma técnica básica, banal para a TRIZ. O resultado pode ter parecido inesperado, mas, sem dúvida, a técnica não foi usada em muitos casos evidentes. E observe-se que isso é só uma técnica – uma gota no oceano das corajosas e inesperadas idéias da teoria contemporânea dos problemas inventivos.

O método da tentativa e erro não prevê o controle e a análise de tais lições. Mesmo dentro de um setor da indústria acontecem exatamente os mesmos erros, milhares de vezes, sem que alguma coisa seja feita. Entretanto, a solução dos problemas complexos exige técnicas achadas não somente no próprio setor, mas, também, em outros setores – às vezes muito distantes. Revendo as variantes a olho, as pessoas nem sonham com essa possibilidade. O medo de sair dos limites da sua especialidade obriga o inventor a permanecer resolvendo o problema por meio de técnicas “próprias”. No início do capítulo, eu mostrei os números: a cada ano, de 150 mil elaborações planejadas, 100 mil são terminadas com fracasso ainda no processo da busca de solução. Aqui não é possível alegar as dificuldades da aplicação! Os culpados são elaboradores, que se prendem às formas tradicionais e não conseguem ver a solução precisa – que, às vezes, aguarda completamente pronta! – porém, um pouco distante de suas especialidades.

Todos os meses, no nosso país, produzem-se cerca de 300 milhões de unidades de louça esmaltada. Após um primeiro cozimento, os produtos são divididos em três grupos. Cada um desses grupos sofre, posteriormente, um segundo cozimento, de acordo com a necessidade. A seleção acontece escutando o som: por exemplo, a operária toma um prato, bate nele com um martelo metálico e, dependendo da tonalidade de som, coloca o prato em uma de três posições. Tal seleção é um trabalho muito monótono e pesado. Claro que aqui surgiu um problema inventivo: é preciso evitar o emprego de mão de obra na tarefa. Um grupo dos inventores elaborou... um autômato com braços. Um braço do autômato pega o prato, outro bate com o martelinho: as oscilações de som são detectadas por um microfone e analisadas, ou seja, as ações humanas foram copiadas com exatidão. Na história da técnica, há muitos exemplos deste tipo: navio com remos automatizados, trem que caminha, máquina de costura com braço. Todos eles ilustram a regra: não se deve copiar mecanicamente as ações humanas. A selecionadora de pratos “braçosa” foi construída, tentaram aplicá-la, e... descobriram muitas falhas. A máquina aumentou fortemente a porcentagem de quebra de louças; os manipuladores grosseiros da máquina foram somente uma cópia externa do braço humano que, na verdade, faz uma parte do sistema “braço-mente”. A máquina foi rejeitada; o dinheiro gasto para criá-la tornou-se prejuízo puro.

É o caso típico da organização ruim da criação. A verificação da qualidade da queima de pratos continua a ser um problema por resolver. Porém, será que em outros setores técnicos não se resolviam problemas parecidos, até mesmo com exigências mais rígidas em relação à produtividade e precisão? Por exemplo, na radiotécnica, os resistores, que têm amplo uso, sofrem os mesmos processos que a cerâmica: necessitam ser queimados e examinados. Mas os resistores, ou seja, os “pratos”, são tão pequenos que não há condições de verificá-los com um simples martelinho. Há uma máquina, denominada AKC-1: a cerâmica sofre radioscopia por meio de dois feixes de radiação e julga-se sobre a queima pela proporção das intensidades dos fluxos que conseguiram atravessar o produto.

Será que há, em algum lugar, um outro processo do controle da queima de produtos ainda menores? Sim! O sol “queima” os grãos e, por isso, na economia rural e na indústria de produtos alimentícios, também, é necessário determinar o processo deste “cozimento”. Patente de Invenção (PI) 431 431: “A forma da análise da estrutura de um grão por meio do uso das suas propriedades óticas diferencia-se pelas seguintes questões: com objetivo de aumentar a precisão da análise, determina-se sua capacidade de refletir e deixar passar a luz, julgando sobre sua estrutura pela proporção entre elas”.

O método da tentativa e erro está ligado não apenas às imensas perdas de tempo e de forças durante a solução do problema. Parece que o maior prejuízo que ele traz é impossibilitar avistar, a tempo, novos desafios. Aqui, as perdas podem ser mensuradas em décadas e séculos. O telescópio de menisco, segundo a confissão do seu inventor, Maksutov, poderia ter sido criado ainda nos tempos de Descartes e de Newton. A necessidade e a possibilidade da criação de tal telescópio existiam. Simplesmente não foi elaborado o problema; as tentativas da solução foram registradas somente na metade do século XX.

O método da tentativa e erro é responsável, também, pela ausência de critérios da avaliação de novas idéias técnicas. Mesmo que o problema fosse notado e, rapidamente, resolvido, a nova idéia continuaria a ser ridicularizada, permanecendo completamente incompreendida.

Há uma enorme inércia nas compreensões tradicionais a respeito do método da tentativa e erro, percebendo-o enquanto um único mecanismo imaginável da criação. Durante milhares de anos, os homens enfrentavam os desafios com aplicação criadora por meio do método da tentativa e erro. Durante milhares de anos, enraizava-se e fortalecia-se a noção de que não há e não podem existir outros métodos. A própria noção de criação, no final das contas, confundiu-se com a tecnologia da solução dos problemas por meio da revisão de variantes às apalpadelas. A iluminação, a intuição, a capacidade inata, a sorte passaram a ser julgados atributos invariáveis da criação.

É dificil calcular as perdas acumuladas pela aplicação do método da tentativa e erro na revolução científico-técnica contemporânea. Acredita-se que estas perdas são bem maiores do que os prejuízos após os terremotos e os mais terríveis furacões. Faz muito tempo que o método da tentativa e erro esgotou as suas capacidades. Antigamente, a imperfeição deste método compensava-se pelo aumento da quantidade das pessoas ocupadas com solução de problemas. Hoje em dia, esta possibilidade, também, está próxima do seu esgotamento.

A questão permanece: desaceleração dos ritmos do desenvolvimento, ou transição para uma outra, e mais efetiva, tecnologia de aperfeiçoamento da técnica.


[1] Jornal Indústria Socialista, 26 de junho de 1982.

[2] Indústria Socialista, 25 de dezembro de 1983.

[3] Tecnologia para a Juventude, n.1, p. 39, 1976.

[4] Gubarev, V. Trilogia Cósmica. Moscou: A Jovem Guarda, 1973. – p. 203.

[5] Margolin, E. Como Caem as Maçãs. Riga: Luesma, 1978. p. 5-14.

[6] Pravda, 22 de dezembro de 1978.

[7] Altshuller G. S.; Shapiro R. B. Psicologia da Criação Inventiva. Questões da Psicologia, n. 6, 1956. p. 37-39.

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Livro Naiti Ideiu - Para Encontrar uma Idéia - Introdução

Introdução

Alcançar o topo

Há livros cujos textos não necessitam de quaisquer comentários, incluindo introdução e posfácio. Estes são os livros cujos textos são programados pelo autor para serem auto-suficientes, exigindo somente do seu leitor o tratamento atento, pois aditamento nenhum poderá ajudar a compreender a idéia do autor melhor do que está sendo expresso pelo próprio.

O livro “Para Encontrar uma Idéia”, escrito por Genrikh Saulovich Altshuller, na primeira metade da década de 1980 e publicado, pela primeira vez, em 1986, pela editora siberiana Naúka (Ciência), é um destes livros; se for utilizada a terminologia da TRIZ, o livro está próximo do RFI (Resultado Final Ideal). Na época, “Para Encontrar uma Idéia” foi completo e lacônico, e, por isso mesmo, um supersaturado relato de teses, métodos e padrões da nova ciência sobre a invenção - TRIZ - Teoria da Solução de Problemas Inventivos.

O leitor que, antes de pegar o livro “Para Encontrar uma Idéia” nas mãos, nada ouviu falar sobre a TRIZ, será, tenho certeza, conquistado pela lógica, verificação e fidelidade da concepção autoral da invenção e, virando a última página, tornar-se-á um fã da TRIZ, assim como todos que tiveram a felicidade de estudar esta ciência durante o contato pessoal com o seu autor ou por meio dos seus livros.

O leitor, que já conhece a TRIZ por outras obras de G. S. Altshuller e de seus alunos, também lerá “Para Encontrar uma Idéia” com atenção e prazer, pois, neste livro, pela primeira vez, foram apresentadas algumas teses da teoria de invenção, antes não descritas na literatura científica, e soluções dos novos problemas inventivos que não se encontram nos livros mais antigos sobre a TRIZ.

Depois da primeira edição do livro, passaram-se 15 anos. A TRIZ, como qualquer ciência nova, desenvolveu-se impetuosamente durante todo este tempo e, ainda no final da década de 1980, tornou-se uma parte integrante do mais amplo complexo, ou seja, da ciência do pensamento forte, para a qual G. S. Altshuller não inventou nome e que costuma-se denominar TRIZ-DIC-TDPC. A TRIZ foi elaborada, antes de tudo, para a solução dos problemas técnicos e industriais. Porém, a idéia de que “as contradições são o motor do progresso”, que fica na base da TRIZ, verificou-se capaz de ser aplicada na ciência (filosofia, física ou psicologia social), bem como em qualquer outra área da atividade criadora do homem.

Diferentemente das antigas metodologias da invenção, não baseadas na TRIZ, ficam as idéias psicológicas e técnicas da ativação do processo criador que, com frequência, dependem da personalidade do seu inventor, do seu caráter e sua inclinação. A base da TRIZ é construída pelas leis objetivas do desenvolvimento dos sistemas técnicos que foram descobertas por G. S. Altshuller. Da mesma forma como a física descreve as leis reais da natureza, independentes da personalidade do pesquisador, a TRIZ contém a descrição das leis objetivas que determinam a transição dos sistemas técnicos rumo às novas modificações, o envelhecimento dos sistemas técnicos e o surgimento dos outros, qualitativamente novos.

Exatamente por isso, tornou-se possível usar as teses básicas da TRIZ no processo da invenção na área de ciência e de atividade artística (por exemplo, jornalística), pois o progresso em qualquer tipo da atividade humana não é possível sem a solução constante das contradições ocorrentes.

A respeito do nascimento de algo novo das contradições antigas já escreviam os clássicos da filosofia. Veja, por exemplo, a lei sobre a unidade e a luta das contradições descrita por F. Engels, em “Dialética da Natureza”. Entretanto, antes das obras de G. S. Altshuller, esta tese parecia ser somente uma generalização escolástica que não pretendia ajudar o inventor ou o pesquisador no seu trabalho concreto – na busca da resposta para um problema inventivo ou científico concreto. G. S. Altshuller, pela primeira vez na história da técnica, deu à tese sobre a contradição do progresso um conteúdo prático claro. A busca e a formulação correta do problema é uma importante etapa na solução de qualquer problema criativo.

Não menos importante tornou-se a exigência da formulação preliminar do RFI (Resultado Final Ideal) para o desenvolvimento da teoria de invenção. Ambas estas teses da teoria – a necessidade da formulação dos contradições e o RFI – foram introduzidas por G. S. Altshuller ainda na década de 1950 e se tornaram fundamentais na TRIZ e na sua teoria sobre a faculdade do pensamento forte.

No livro “Para Encontrar uma Idéia”, o leitor descobrirá todo o arsenal da TRIZ existente até o ano de 1991. Nos dias de hoje, este arsenal ainda é suficiente para aprender a teoria de invenção, alcançando o nível em que problemas técnicos complexos tornam-se simples. Porém, enquanto uma ciência, a TRIZ desenvolve-se muito rápido e, no livro, o próprio G. S. Altshuller já asinalou as direções deste desenvolvimento. Na metade da década de 1980, ainda não existiam, por exemplo, as técnicas seguras da solução dos problemas científicos e artísticos baseadas na metodologia da TRIZ. Estas técnicas continuam a não existir hoje, mas os alunos de G. S. Altshuller fizeram trabalho considerável para com a metodologia das descobertas científicas e, já não resta dúvida, que a ciência sobre a faculdade do pensamento forte, baseada na TRIZ transformar-se-á, no futuro próximo ou distante, em um objeto indispensável do estudo, desde a idade escolar.

G. S. Altshuller teve suas primeiras idéias ligadas à possibilidade da algoritmização do processo de invenção ainda no ano de 1946. Seu primeiro artigo publicado, relacionado a este tema, foi “A psicologia da criação inventiva”, escrito em conjunto com R. B. Shapiro (revista “Questões da Psicologia”, N. 6, 1956). O primeiro livro foi “Como Aprender a Inventar” (Editora de Tambov, 1961).

Como qualquer ciência, a faculdade do pensamento forte nasceu da sistematização do objeto de pesquisas e da criação de instrumentos científicos. O primeiro instrumento da TRIZ foi o Algoritmo para a Solução Inventiva de Problemas – ARIZ, que passou a ser aperfeiçoado a cada ano. O ARIZ tornou-se a TRIZ e, depois, a mesma TRIZ tornou-se uma parte da ciência mais abrangente sobre a faculdade do pensamento. A Teoria de Desenvolvimento da Personalidade Criativa (TDPC) tornou-se mais uma parte orgânica desta ciência nova. Ao estudar centenas de biografias de pessoas talentosas, G. S. Altshuller e I. Vertkin descobriram que a personalidade criadora e, em particular, a personalidade que pratica a TRIZ vive inteiramente de acordo com as leis objetivas as quais elaboraram, baseando-se nas tendências gerais das bibliografias, nos problemas e nas técnicas objetivas da solução das contradições no seu dia-a-dia.

G. S. Altshuller não foi somente um pesquisador genial (não há dúvida que criar uma ciência nova, em nosso tempo supersaturado por ciências diferentes, é possível somente para uma mente genial), mas foi um bom professor, o que podem testemunhar centenas de especialistas contemporâneos da área da TRIZ e TDPC que tiveram a felicidade de aprender a ciência sobre a faculdade do pensamento forte sob a orientação direta do seu criador. Cada livro de G. S. Altshuller (“Para Encontrar uma Idéia” não é uma exceção) é metodologicamente impecável.

G. S. Altshuller dedicou à criação da ciência sobre a faculdade do pensamento forte toda a sua vida. Ele colocava diante si mesmo sucessivamente os alvos mais complexos e de difícil acesso e alcançava-os. No início, foi criado o ARIZ, porém este algoritmo único era insuficiente para a solução dos problemas inventivos complexos. Apareceram os Padrões Inventivos, as Listas de Efeitos (físicos, químicos, entre outros), a Análise Su-campo. Surgiu a TRIZ. Entretanto, ficou claro que a TRIZ não poderia efetivamente desenvolver-se até que fosse estudada uma outra componente “humana” da criação. Assim, nasceu a TDPC (Teoria do Desenvolvimento da Personalidade Criativa). Não é possível estudar a TRIZ sem ter a fantasia criativa desenvolvida. Assim, surgiu o curso DIC (Desenvolvimento da Imaginação Criativa). É impossível desenvolver a imaginação sem ler as obras literárias de ficção científica. Assim, apareceu o escritor de ficção científica Genrih Altov (pseudônimo utilizado por G. S. Altshuller). Utilizar, de certo modo, na TRIZ, as idéias dos escritores de ficção científica é impossível sem a sua sistematização. Por isso, foi montado o “Registro das Idéias e Situações Científicas-Fantásticas”, único deste tipo ...

G. S. Altshuller alcançava um topo atrás de outro, do problema passava para um super-problema, subindo cada vez mais e mais... Com sua própria vida, ele confirmou a verdade das conclusões da sua própria teoria TDPC. Ele sempre fazia o passo certo no jogo, em si, trágico contra as circunstâncias externas. Este jogo é realmente trágico, pois o homem-criador é mortal, mas as circunstâncias externas que envenenavam a vida do gênio (mas que criavam condições para as realizações criadoras novas também – eis ainda uma contradição sem a qual é impossível o desenvolvimento!), continuam a existir.

Como vivia e trabalhava o criador da TRIZ? Como ele escrevia os próprios livros? G. S. Altshuller respondeu a esta pergunta (estou citando a 15ª. edição do Arquivo de G. S. Altshuller):

“Há dois tipos de dias “comuns”. Sou como um acumulador que tem a carga e descarga. O dia de carga é, basicamente, de leitura e reflexão sobre tudo que foi lido. Preciso trabalhar muito com a literatura de patentes, com materiais diferentes sobre a história da tecnologia. A teoria do desenvolvimento dos sistemas técnicos faz a fronteira com muitas disciplinas científicas: a filosofia, a psicologia, a lógica, a teoria dos sistemas, a cibernética, entre outras. Umas sete ou oito horas por dia bastam para folhear o que é mais necessário. Umas duas ou três horas passam com a correspondência entre os professores e elaboradores da TRIZ. Além disso, eu coordeno a sessão inventiva em “Pionerskaya Pravda”. Lá, publicam-se problemas. Depois de cada publicação, enviam-me cerca de 1,5 a 2 milhares de cartas. Assim, em média, as cartas exigem não menos de 4 horas por dia. Isso é um dos modos de trabalhar e é muito importante. Finalmente, a ficção. É preciso, regularmente, lê-la e analisá-la. Em média, ainda duas horas por dia. Outro dia típico é quando estou escrevendo alguma coisa. Nestes dias, eu tento somente escrever, sem desviar a atenção para coisa alguma. Nem estou lendo, porque a leitura dos livros de outros muda a sintonização em seu próprio estilo, influencia a sua maneira de escrever. Estou escrevendo, relendo o que escrevo, tentando imaginar como é aquilo sobre o que estou escrevendo...”

A TRIZ continua a desenvolver-se, pois G. S. Altshuller resolveu o superproblema da personalidade criativa – criou o fundamento para o desenvolvimento futuro da ciência sobre a faculdade do pensamento forte e mostrou a direção rumo à qual é preciso andar. Em muitos países, são criados institutos, empresas, associações de engenheiros que estão resovendo problemas de produção com a ajuda da TRIZ. No ano de 1998, nos EUA, foi inaugurado o Instituto Altshuller, onde, nas conferência anuais internacionais, estão presentes os especialistas de grandes empresas de muitos países. Na Internet, existem dezenas de sítios dedicados à TRIZ. Os livros de G. S. Altshuller são traduzidos para o inglês, polonês, alemão, búlgaro, espanhol, coreano, japonês, francês, moldávio, armênio, letão e outras línguas. A teoria da invenção, nos dias de hoje, está sendo ensinada desde o jardim da infância. Pelo menos, já existem os materiais didáticos sobre a TRIZ para a idade infantil, e a direção pedagógica em TRIZ é uma das que está sendo desenvolvida e possui boas perspectivas.

A ciência sobre a faculdade do pensamento forte, que engloba TRIZ-DIC-TDPC, ainda não possui o próprio nome. Em analogia com outras ciências, ela pode ser chamada a vistalogia – do latim vista: panorama. A ciência sobre a faculdade do pensamento forte, para cuja criação G. S. Altshuller dedicou sua vida, realmente se parece com uma montanha muita alta. Ao subir no seu topo, a personalidade criativa poderá ver, descrever, entender e usar todas as leis de natureza e de técnica, as próprias possibilidades infinitas. G. S. Altshuller, durante toda a sua vida, estava subindo neste topo e estava conduzindo seus alunos. Agora, os alunos de G. S. Altshuller, nos diferentes países, continuam obstinadamente este ataque ao topo.

Cada um que terá lido o livro “Para Encontrar uma Idéia” ter-se-á juntado (eu tenho certeza disso) à família de muitos membros dos entusiastas da TRIZ. É possível que cada leitor terá conseguido dizer a própria palavra original sobre a teoria sobre a faculdade do pensamento forte. Entretanto, cada um terá subido para mais alto grau em sua criação – isso, em particular, G. S. Altshuller buscava alcançar com o seu livro “Para Encontrar uma Idéia”.

P. Amnuel,

Doutor em Física e Matemática, Mestre de TRIZ

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Livro Naiti Ideiu - Para Encontrar uma Idéia - Prefácio de Yu. Salamatov

Ao Leitor

No mundo, desde a revolução industrial, mais de 30 mil livros foram dedicados à decifração dos mistérios da solução criativa de problemas ou questões associadas. Em 300 anos, a importância do assunto para a nossa civilização cresceu incomensuravelmente.

Eu, com muito prazer, apresento aqui a terceira edição adicionada do livro “Para Encontrar uma Idéia”, que trata da Teoria Contemporânea da Solução de Problemas Inventivos - TRIZ (a abreviatura TRIZ tem sua origem na denominação russa Teoriya Resheniya Izobretatelskikh Zadatch). O leitor poderia se convencer de que mesmo o mais brilhante dos interpretadores não teria descrito a idéia do autor melhor do que ele próprio – o criador da TRIZ – Genrikh Saulovich Altshuller.

O que é que fez G. Altshuller?

Ele criou a teoria da invenção. A isso, dedicou toda a sua vida profissional – cinqüenta anos – em um trabalho intenso e contínuo.

A organização científica do processo da solução de problemas inventivos pode basear-se somente nas leis existentes e objetivas da interação de dois participantes do processo criativo: homem e sistema técnico. Exatamente na interação destes dois “componentes” nascem as invenções. Como saber as leis do desenvolvimento da técnica? Exatamente, do desenvolvimento, ou seja, da previsão do passo seguinte na evolução dos sistemas técnicos. Existe um único caminho: a apreciação, a seleção, a análise dos resultados de invenção criativa retirado dos bancos de patentes mundiais. Tendo analisado centenas de milhares de patentes, o autor descobriu estas leis, regras e técnicas.

Era necessário criar um programa que levasse em conta as leis objetivas do desenvolvimento da técnica e também as particularidades da psiquê ou mentalidade humana; tal programa teria que administrar o “instrumento” principal da solução de problemas inventivos – o cérebro humano. G. Altshuller criou tal programao Algoritmo para a Solução de Problemas Inventivos - ARIZ (a abreviatura ARIZ tem a origem da denomição russa "Algoritm Resheniya Izobretatelskikh Zadatch"). Altshuller levou quarenta anos corrigindo, elaborando e aperfeiçoando o ARIZ!

A apreciação do conjunto todo da obra de G. Altshuller ainda está por ser feita. Nem todos os seus trabalhos foram publicados. Aqueles que foram publicados com tiragens de 35.000, 50.000 e 10.000 exemplares, há muito tempo tornaram-se uma verdadeira raridade bibliográfica. Você, leitor, tem aqui a possibilidade de ler o livro que acumulou a experiência de centenas de seminários conduzidos por G. Altshuller, bem como o seu trabalho com as crianças, a partir da idade infantil, a experiência do ensino de DIC (Desenvolvimento da Imaginação Criativa) e a elaboração da TDPC –(Teoria do Desenvolvimento da Personalidade Criativa).

O livro ensina a ter um pensamento forte criativo e a habilidade de resolver problemas fora do padrão, além de encontrar, em qualquer situação, as soluções mais originais, brilhantes e belas.

Salamatov Y.P.

Doutor em Ciências Técnicas, Diretor do Instituto de Projetos Inovadores, Mestre em TRIZ

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Livro Naiti Ideiu - Para Encontrar uma Idéia - G. S. Altshuller


Uma das coisas que eu desejava já há algum tempo fazer era envolver-me na tradução direta de materiais desenvolvidos por Altshuller, criador da TRIZ, para o português. Pois bem, a oportunidade surgiu e estou trabalhando na tradução do livro Naiti Ideiu (Para Encontrar uma Idéia), o último livro publicado por Altshuller. Este livro contém a essência da chamada TRIZ Clássica.

Como meu conhecimento da língua russa está longe da perfeição, quem está fazendo a tradução propriamente dita é minha professora de russo, Irina Starostina. Eu cuido da revisão técnica. O plano é ir publicando trechos do livro aqui no blog, aos poucos, e, em paralelo, identificar editoras interessadas em publicar a edição em português.

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Tese de Doutorado Premiada pelo CONFEA


A tese de doutorado "Metodologia IDEATRIZ para a Ideação de Novos Produtos", desenvolvida por Marco Aurélio de Carvalho, autor deste blog, ganhou o primeiro lugar na categoria trabalhos de pesquisa e desenvolvimento no Prêmio CONFEA de Criatividade e Inovação Tecnológica.


O trabalho foi desenvolvido no Programa de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, sob a orientação dos professores Nelson Back e André Ogliari, com apoio da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Instituto Fábrica do Milênio e Aditiva Consultoria.

A tese refere-se ao tema da inovação em produtos e, dentro deste, à ideação de novos produtos. Inicialmente, o pano de fundo é estendido: o dilema fundamental do empreendedor, que sabe que precisa inovar para auferir melhores resultados, mas, que tem aversão ao risco, é colocado. É demonstrado que este problema tem uma de suas raízes na inadequada ideação de novos produtos. Em seguida, é delimitada a pesquisa, sendo estabelecido como objetivo desenvolver uma metodologia eficaz para a ideação, a qual fomente a produção de idéias verdadeiramente originais e, além disso, guie-se pelo critério da maximização do valor, de forma a que os resultados não descolem-se dos interesses mercadológicos. É apresentada, então, a fundamentação teórica do trabalho, na qual as fontes e os mecanismos de geração de idéias de novos produtos são descritos e discutidos. É dada atenção especial à metodologia TRIZ por, segundo a experiência do autor, ter o maior potencial para alcançar o lado do fomento à criatividade estabelecido como objetivo. A seguir, é fundamentada, formalizada e avaliada a metodologia proposta para a ideação de novos produtos, IDEATRIZ. Finalmente, o texto é encerrado com a conclusão de que a metodologia proposta atende ao objetivo definido, ou seja, é eficaz em combinar criatividade com a busca pela maximização do valor. Também são feitas recomendações para futuras pesquisas.


O trabalho completo pode ser consultado na biblioteca da UFSC: http://www.tede.ufsc.br/teses/PEPS5195-T.pdf.

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Estratégia Geral de Resolução de Problemas da TRIZ


A estratégia da TRIZ para a solução de problemas pode ser resumida como mostrado na figura abaixo.

A partir de um problema específico, o solucionador de problemas utiliza as ferramentas para a análise da situação problemática e formulação de problemas para realizar a abstração e chegar a um problema genérico, livre do jargão técnico. Então, uma ou mais ferramentas para a ideação são utilizadas, de forma a chegar a soluções genéricas. Por último, a solução genérica precisa ser particularizada, ou seja, adaptada, para chegar à solução específica. Esta figura apresenta um exemplo do processo da TRIZ em ação:

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Funções Dentro da TRIZ


Funções são formas neutras de descrever problemas e soluções. Por exemplo, em vez de pensar em projetar uma mola, um projetista poderia pensar na função da mola, "armazenar energia". Tal função abre várias possibilidades de solução, como um acumulador hidráulico, capacitor, bateria, volante, entre outros, que o projetista não consideraria se permanecesse pensando na mola.

Funções não são uma exclusividade da TRIZ, mas, foram integradas a ela a partir da metodologia de projeto (PAHL & BEITZ, 1986), análise de valor (MILES, 1961) e da Análise Função-Custo (SOBOLEV, 1987).

Diferentemente de outras metodologias, na TRIZ são consideradas não somente as funções úteis / desejadas, mas, também, as funções neutras e as funções prejudiciais / indesejadas. Os diagramas funcionais, na TRIZ, são maneiras de compreender e formular problemas. Na figura, é apresentado um diagrama funcional para uma lata de bebida.


Este artigo explora um pouco mais o uso dos diagramas funcionais para a formulação de contradições.


Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Sistemática


Sistemática, ou pensamento sistêmico, é o incentivo que a TRIZ procura dar no sentido de levar o solucionador de problemas a enxergar a situação problemática e as possíveis soluções sistemicamente, dentro de um contexto que envolve tempo, espaço e interações. A principal ferramenta que operacionaliza isto dentro da TRIZ é o Operador de Sistema.

No Operador de Sistema, as linhas representam o supersistema, o sistema e o subsistema e as colunas, o passado, o presente e o futuro do sistema analisado. O preenchimento desta matriz inicia-se pelo centro (sistema no presente) e prossegue, primeiro na coluna “presente” e, depois, pelas colunas “passado” e “futuro”. A finalidade é conduzir o usuário a considerar a situação problemática como um sistema de problemas e, portanto, a criar uma visão ampliada do problema original. O exemplo apresentado refere-se a um apagador, do tipo usado em salas de aula com quadros negros. Outras colunas “futuro” poderiam ser adicionadas, no sentido de analisar alternativas para a transmissão de informações numa aula que estão surgindo, tais como scanners, lousas eletrônicas e outros.


Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Recursos


Recursos são elementos da própria situação problemática ou do seu entorno, que podem ser mobilizados para solucionar ou contribuir para a solução de um problema. Podem ser definidos como sendo quaisquer elementos do sistema sob análise ou das cercanias que ainda não foram utilizados para a execução de funções úteis.

Um exemplo do uso de recursos aconteceu com a invenção do turbocompressor utilizado em motores de combustão interna, que transforma parte da energia dos gases de combustão em sobre-pressão do ar alimentado. Neste caso, o recurso utilizado corresponde à energia.

A utilização de recursos tende a aproximar o sistema técnico do ideal, ou seja, esta é uma forma de alcançar a idealidade, conceito da TRIZ tratado na postagem anterior.

Na figura abaixo, está mais um exemplo do uso de recursos.

Trata-se de uma brincadeira, não estamos fomentando a exploração do trabalho infantil!!

Desejo aos leitores um 2008 repleto de paz, saúde e sucesso!